Psicóloga, bailarina e escritora, Spero Litterae é o pseudônimo de Laura Manoela dos Santos. Atuando na literatura independente brasileira, a autora desenvolve sua escrita dentro do romance, com narrativas que exploram relações humanas atravessadas por conflito, poder e ambigüidade emocional.
Aos 22 anos, publicou seu primeiro romance, Aquilo que chamam de amor, que será relançado no dia 11 de janeiro. O relançamento marca um novo momento na trajetória da escritora e amplia a circulação da obra junto ao público leitor. Segundo a autora, a decisão de relançar o livro surgiu da percepção de que, em 2021, ainda não possuía experiência suficiente para oferecer à obra as ferramentas necessárias para alcançar todo o seu potencial. Hoje, com maior vivência no mercado literário, ela afirma que o relançamento representa uma nova chance para a história de Nicolas e Veneza.
No romance, Spero Litterae apresenta a trajetória de Nicolas, que ao retornar ao Brasil descobre ter sido vítima de um golpe arquitetada pelo próprio pai. A dívida feita em seu nome não envolve dinheiro, mas o controle de sua liberdade, a partir de um contrato ligado ao tráfico humano. A narrativa se desenvolve na relação entre Nicolas e Veneza Rotteli, personagem que oferece uma saída baseada em negociação e dependência, enquanto Guilherme Rotteli surge como a figura que simboliza o desejo de posse e a obsessão levados ao extremo.

Ao trabalhar o amor a partir de suas facetas negativas, obsessivas e destrutivas, a autora se afasta de abordagens idealizadas do sentimento. Em Aquilo que chamam de amor, o afeto aparece tanto como possibilidade quanto como ameaça. A escritora afirma que sua relação com o livro mudou desde a primeira publicação. Se antes a insegurança e a chamada síndrome do impostor a impediam de reconhecer o valor da obra, hoje ela se diz mais confiante ao reler a própria escrita e identificar ali uma narrativa potente.
O pseudônimo Spero Litterae tem origem no latim e significa “carta de esperança”, reunindo os sentidos de esperança e literatura. A autora explica que a escolha do nome foi motivada pelo desejo de transmitir uma mensagem clara sobre seu posicionamento. Para ela, o pseudônimo representa a luta pela valorização da literatura nacional e o compromisso em não desistir do reconhecimento dos autores brasileiros.
Além da produção literária, Spero Litterae atua de forma ativa na valorização da literatura brasileira independente. Com mais de 30 mil seguidores nas redes sociais, realiza divulgação gratuita de autores nacionais. A escritora avalia que o cenário da literatura independente no Brasil ainda é marcado por dificuldades estruturais. Segundo ela, a falta de recursos financeiros leva muitos autores a lançarem livros sem passar por processos editoriais adequados, o que acaba enterrando boas histórias por problemas técnicos e afastando leitores que buscam qualidade garantida em obras internacionais.
Sobre a recepção do público, a autora afirma que espera provocar uma forte reação emocional em quem lê Aquilo que chamam de amor. Para ela, a narrativa foi construída como uma montanha russa de sentimentos, capaz de fazer o leitor rir, chorar, se irritar e se apaixonar ao longo da leitura. O relançamento do romance reforça o posicionamento de Spero Litterae dentro do cenário independente e consolida sua presença como uma escritora que propõe olhar o amor sem idealizações, entendendo-o também como espaço de conflito, poder e contradição.





