Muito além de um espaço festivo, a Vila Natalina de Gravatá tem se consolidado como um verdadeiro laboratório de empreendedorismo comunitário. O local reúne iniciativas criativas, culturais e comerciais que revelam a força da economia criativa e do trabalho coletivo no município, abrindo oportunidades para pequenos empreendedores fortalecerem seus negócios, ampliarem redes e dialogarem diretamente com o público.
Entre os empreendimentos presentes na vila estão a Academia Literária Marginal Poetas do Sol, Tarde na Feira, Cantinho Gourmet, Papelaria Fofa – Maria Flor, Anjos da Estação, Mãos que Criam, Lipe Books e Pop Mix. Cada barraca carrega mais do que produtos: carrega histórias de resistência, identidade cultural e aposta no empreendedorismo como ferramenta de transformação social.
Literatura como ato empreendedor

Um dos destaques é a Lipe Books, que aposta na comercialização de livros em um espaço onde, tradicionalmente, a literatura não é o foco principal. Para Luís Felipe, idealizador do projeto, a presença na vila representa um desafio necessário.
“Há 3 anos estamos vendendo e vocês podem nos encontrar numa loja de brinquedos em frente a Éconis e no Instagram @lipe_books”, explica.
Sobre a experiência de atuar em uma festa pública, ele afirma:
“Está sendo algo novo. Eu sei que a literatura não é muito procurada nesse contexto. Mas estamos sempre tentando trazer a literatura para os jovens em busca de fazê-los sair das telas, que é algo que está saindo do controle. E mostrar cultura através dos clássicos.”
A iniciativa mostra que empreender também é provocar reflexões e criar pontes entre o público jovem e o acesso à leitura.
Arte, estrada e pertencimento

Outro exemplo de empreendedorismo enraizado na cultura popular é o trabalho do artesão Adriano Hippie, integrante do coletivo Mãos que Criam. Com uma trajetória marcada por viagens e aprendizado contínuo, ele vê a vila como um espaço de renovação e encontro.
“Já viajei bastante, tenho 26 anos de estrada, tenho o conhecimento da minha arte, que é uma arte milenar, uma arte com paixão, e faz 26 anos que eu sigo essa carreira de artesão.”
Sobre os lugares que marcaram sua trajetória, Adriano destaca:
“Eu comecei minha história em Porto Seguro, na Bahia. Foi o lugar que marcou minha vida porque foi quando eu comecei a colocar minhas ideias, práticas e dons pra frente.”
Na Vila Natalina, ele enxerga mais do que vendas:
“Tudo é novo! Tá muito massa! Tá um coletivo massa, que ele continue pelo bem da nossa comunidade.”
Tecnologia, inovação e economia criativa

A união entre tecnologia e empreendedorismo aparece no trabalho da Pop Mix, comandada por Alana e Helson, que atuam com impressão 3D. Para eles, a vila tem sido estratégica para fortalecer o negócio e ampliar a visibilidade.
“Estamos nesse segmento há 4 anos com esse empreendimento no ramo 3D e, com o grupo Mãos que Criam, estamos engrenando de vez com essa exposição nessas barracas aqui na Vila Natalina, no Natal e agora na Festa de Reis.”
Sobre os produtos e o público atendido, o casal explica:
“Nós trabalhamos com artigos Nerd e Geek, mas a impressão 3D tem uma vasta infinidade de coisas a fazer. Pegamos encomendas e já temos produtos à pronta entrega. Para nos encontrar é só acessar nossa página no Instagram, @popmix22, e em breve teremos nossa loja física.”
Um espaço que fomenta desenvolvimento local
A diversidade de iniciativas presentes na Vila Natalina evidencia como espaços públicos podem se tornar motores de desenvolvimento econômico, cultural e social. Ao reunir literatura, artesanato, gastronomia, papelaria criativa e inovação tecnológica, a vila fortalece o empreendedorismo local e mostra que investir em coletivos, redes colaborativas e identidade cultural é um caminho viável e potente para o crescimento sustentável de Gravatá. Mais do que um evento, a Vila Natalina se firma como um território de oportunidades, onde empreender é também construir comunidade.




