{"id":503,"date":"2026-01-07T00:41:20","date_gmt":"2026-01-07T00:41:20","guid":{"rendered":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/?p=503"},"modified":"2026-01-08T01:19:28","modified_gmt":"2026-01-08T01:19:28","slug":"machismo-na-literatura-desvelando-o-silenciamento-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/index.php\/2026\/01\/07\/machismo-na-literatura-desvelando-o-silenciamento-das-mulheres\/","title":{"rendered":"Machismo na Literatura: Desvelando o Silenciamento das Mulheres"},"content":{"rendered":"\n<p>Na Europa do s\u00e9culo 18, a escrita feminina era frequentemente limitada a g\u00eaneros considerados apropriados para mulheres, como cartas di\u00e1rios e poesia sentimental. Embora algumas mulheres tenham alcan\u00e7ados reconhecimento como escritoras, como <strong>Mary Astell<\/strong>, <strong>Eliza Haywood<\/strong> e <strong>Charlotte Lennox<\/strong>, entre outras escritoras que muitas vezes enfrentavam barreiras sociais e institucionais para publicar suas obras. Al\u00e9m disso, a cr\u00edtica liter\u00e1ria da \u00e9poca tendia a desvalorizar o trabalho produzido por mulheres, muitas vezes considerando inferior em rela\u00e7\u00e3o aos dos homens.<\/p>\n\n\n\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o da escrita, como de toda sociedade, vem de manifesta\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio setor cultural, coisas que eram aceitas na d\u00e9cada de 90, hoje n\u00e3o s\u00e3o mais toleradas. Os termos \u201cpoetas\u201d e \u201cpoetisas\u201d sempre foram utilizados para distinguir o g\u00eanero do autor. No entanto, com a modernidade, e com os movimentos da pr\u00f3pria classe art\u00edstica, o termo \u201cpoeta\u201d come\u00e7ou a ser usado para ambos os sexos, visto que essa distin\u00e7\u00e3o sempre carregou um peso discriminat\u00f3rio para diminuir o trabalho liter\u00e1rio das poetas mulheres. A escritora e doutora em estudos liter\u00e1rio, <strong>Adrienne Savazoni<\/strong>, falou em sua coluna no site Vermelho que \u201cAs palavras n\u00e3o s\u00e3o criadas arbitrariamente. Elas t\u00eam rela\u00e7\u00e3o direta com a constru\u00e7\u00e3o. Nomear \u00e9 inserir uma concep\u00e7\u00e3o de mundo ao objeto nomeado. Por essa raz\u00e3o, \u00e9 preciso questionar a origem da palavra \u201cpoetisa\u201d, que n\u00e3o saiu do nada e carrega um contexto hist\u00f3rico e pol\u00edtico de exclus\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o em sua raiz.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><br>Ao abandonar o uso de \u2018poetisa\u201d em favor de \u201cpoeta\u201d para se referir a indiv\u00edduos de ambos os sexos, estamos n\u00e3o apenas promovendo uma linguagem mais inclusiva e igualit\u00e1ria, mas tamb\u00e9m desafiando e desmantelando estruturas de exclus\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o baseadas no g\u00eanero. Essa mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de moda ou conveni\u00eancia, mas sim uma manifesta\u00e7\u00e3o concreta da evolu\u00e7\u00e3o da sociedade e da busca por uma linguagem que reflita e promova valores de igualdade, respeito e inclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A hist\u00f3ria da literatura brasileira \u00e9 permeada por diversas problem\u00e1ticas relacionadas \u00e0 representatividade e ao reconhecimento das contribui\u00e7\u00f5es das mulheres. O caso de <strong>J\u00falia Lopes de Almeida<\/strong> na Academia Brasileira de Letras (ABL) \u00e9 um exemplo emblem\u00e1tico dessa quest\u00e3o. Apesar de ter sido uma figura proeminente no cen\u00e1rio liter\u00e1rio da \u00e9poca, participando ativamente das reuni\u00f5es de cria\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o, J\u00falia Lopes de Almeida foi esquecida por seus contempor\u00e2neos. Somente ap\u00f3s quase oitenta anos da funda\u00e7\u00e3o da academia, em 04 de agosto de 1977, que a escritora Rachel de Queiroz, primeira mulher foi aceita a ingressar na ABL. Essa Marco hist\u00f3rico, destaca n\u00e3o a apenas a sub-representa\u00e7\u00e3o das mulheres na academia, mas tamb\u00e9m a demora resist\u00eancia em contribui\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro caso que reflete outra problem\u00e1tica causada pelo machismo liter\u00e1rio, \u00e9 o da <strong>Carolina Maria de Jesus<\/strong>, uma das escritoras negras mais importantes da literatura brasileira. Que apesar de apenas ter dois anos de estudo formal, tornou-se escritora e ficou nacionalmente conhecida em 1960, com a publica\u00e7\u00e3o de seu livro <em>Quarto de despejo: di\u00e1rio de uma favelada<\/em>, no qual relatou o seu dia a dia na favela do Canind\u00e9, na cidade de S\u00e3o Paulo.<br><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, apesar de sua popularidade entre o p\u00fablico em geral, Carolina Maria de Jesus enfrentou significativo preconceito por parte da elite liter\u00e1ria. Muitos cr\u00edticos e acad\u00eamicos olharam com desd\u00e9m para seu trabalho, menosprezando como literatura de qualidade inferior devido seu g\u00eanero, cor, origem humilde e ao estilo simples e direto de escrita.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso pode parecer pouco irrelevante, comparado com toda a press\u00e3o do machismo dentro do nicho, onde o principal que era pra ser express\u00e3o das palavras, \u00e9 trocado pra quem est\u00e1 expressando-as. Como combater esse ciclo, que n\u00e3o parece ter fim? Em 2014, a autora e ilustradora inglesa <strong>Joanna Walsh<\/strong> popularizou nas redes sociais a #readwomen2014, um projeto pessoal da escritora que consistia em ampliar seu contato com a produ\u00e7\u00e3o de mulheres na literatura. O projeto teve um impacto t\u00e3o imenso no meio liter\u00e1rio, que em 2015, aqui no brasil, inspirado pelo movimento virtual que o projeto da escritora inglesa, que <strong>Juliana Gomes<\/strong> convidou suas amigas <strong>Juliana Leueroth<\/strong> e <strong>Michelle Henriques<\/strong> a transformar a campanha em clubes de leitura em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Juliana Leuenroth, coordenadora do projeto, afirma em sua entrevista para a revista Elite que \u201cAs mulheres s\u00e3o menos publicadas. Quando conseguem ser publicadas, s\u00e3o menos divulgadas, menos premiadas, menos reconhecidas\u201d. Um projeto que come\u00e7ou com o encontro de amigas com interesses comuns: Feminismo, Paix\u00e3o pela literatura, e desejo pela transforma\u00e7\u00e3o. Completou em mar\u00e7o de 2024, nove anos de luta e resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto surgir mais iniciativas como o Leia Mulheres, Movimentos para ressignificar os meios liter\u00e1rios, entre outros que percorrem os c\u00edrculos liter\u00e1rios do pa\u00eds e do mundo, mais que iremos v\u00ea essa mudan\u00e7a, e o enaltecimento de mulheres como a Carolina maria de jesus, a Juliana Lopes e tantas outras que revolucionaram nosso mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Europa do s\u00e9culo 18, a escrita feminina era frequentemente limitada a g\u00eaneros considerados apropriados para mulheres, como cartas di\u00e1rios e poesia sentimental. Embora algumas mulheres tenham alcan\u00e7ados reconhecimento como escritoras, como Mary Astell, Eliza Haywood e Charlotte Lennox, entre outras escritoras que muitas vezes enfrentavam barreiras sociais e institucionais para publicar suas obras. Al\u00e9m<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":504,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-503","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=503"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/503\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":505,"href":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/503\/revisions\/505"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/504"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}