{"id":506,"date":"2026-01-07T01:00:31","date_gmt":"2026-01-07T01:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/?p=506"},"modified":"2026-01-08T01:19:18","modified_gmt":"2026-01-08T01:19:18","slug":"veias-abertas-da-escrita-entre-a-censura-e-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/index.php\/2026\/01\/07\/veias-abertas-da-escrita-entre-a-censura-e-resistencia\/","title":{"rendered":"Veias Abertas da Escrita: Entre a Censura e Resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p>Os escritores sempre foram cronistas do seu tempo, capturando e compartilhando as nuances do cotidiano e da realidade que os cercava. Mas, como fazer isso em tempos onde a distor\u00e7\u00e3o e o silenciamentos de vozes cortam a realidade que escrevemos?<\/p>\n\n\n\n<p>Na madrugada de 31 de mar\u00e7o para 1 de abril de 1964, o presidente democraticamente eleito Jo\u00e3o Goulart foi destitu\u00eddo da presid\u00eancia em um golpe articulado pelos militares em conluio com altos escal\u00f5es do governo dos Estados Unidos. Sob o pretexto de restaurar a ordem e conter o avan\u00e7o do comunismo, o que deveria ser um governo provis\u00f3rio rapidamente se transformou em vinte e um anos de uma ditadura brutal. Durante esse per\u00edodo sombrio, os direitos pol\u00edticos foram suprimidos, a imprensa, jornalistas e escritores foram perseguidos e submetidos \u00e0 censura sistem\u00e1tica. O pa\u00eds mergulhou em um per\u00edodo de repress\u00e3o, viol\u00eancia e arbitrariedade, deixando marcas profundas na sociedade brasileira que ecoam at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o foram os primeiros a serem fortemente perseguidos pelo regime. Ap\u00f3s a instaura\u00e7\u00e3o do AI-5 (Ato Institucional N\u00famero 5). Em 1975, O Jornal Folha da Manh\u00e3, teve um epis\u00f3dio de&nbsp;censura&nbsp;terminou provocando a demiss\u00e3o de toda a reda\u00e7\u00e3o do jornal, inclusive de seu diretor. O Jornalista, Caco Barcellos, escreveu uma mat\u00e9ria sobre a viol\u00eancia do estado contra os civis, era um jogo de futebol dentro de uma cela, onde a bola era o corpo dos presos, ele conta em uma entrevista com o Dr.Dr\u00e1uzio Varela, que o secret\u00e1rio de seguran\u00e7a daquela \u00e9poca pediu a sua demiss\u00e3o, mas que o editor n\u00e3o concordava, pois a mat\u00e9ria estava correta e isso foi escalando, at\u00e9 que vinte e dois profissionais da comunica\u00e7\u00e3o do jornal, pedisse demiss\u00e3o em protesto pela repres\u00e1lia por se falar o fato ocorrido.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full wp-duotone-unset-1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1163\" height=\"600\" src=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/02.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-509\" srcset=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/02.png 1163w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/02-300x155.png 300w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/02-1024x528.png 1024w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/02-768x396.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1163px) 100vw, 1163px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>M\u00fasicos tamb\u00e9m foram perseguidos dentro desse per\u00edodo nefasto da nossa hist\u00f3ria recente. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, Maur\u00edcio Tapaj\u00f3s e Paulo C\u00e9sar Pinheiro resumem a indigna\u00e7\u00e3o compartilhada pelos compositores brasileiros com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 censura \u00e0s suas obras (\u201cVoc\u00ea corta um verso, eu escrevo outro\u201d) e enfrentam a ditadura (\u201cQue medo voc\u00ea tem de n\u00f3s, olha a\u00ed!\u201d), com a can\u00e7\u00e3o \u201cPesadelo\u201d, lan\u00e7ada pelo MPB-4 no LP \u201cCicatrizes\u201d (Phonogram\/1972).<\/p>\n\n\n\n<p>O mercado editorial de livros sofreu grandes mudan\u00e7as ap\u00f3s 1964. Do ponto de vista econ\u00f4mico, a produ\u00e7\u00e3o de livros atravessou forte crescimento, houve uma importante moderniza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e o est\u00edmulo \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o do mercado nas m\u00e3os de grandes grupos editoriais, especialmente beneficiados pelo regime militar. Ao mesmo tempo, as editoras pequenas foram prejudicadas por n\u00e3o receberem as mesmas facilidades e, em alguns casos, sofrerem persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o golpe de 1964, livros e editores foram censurados pelo poder ditatorial. Apenas dois dias depois do golpe, o governo fechou o Editorial Vit\u00f3ria, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), por consider\u00e1-lo \u201co maior centro de difus\u00e3o de obras marxistas no Brasil\u201d. Esta e outras a\u00e7\u00f5es repressivas come\u00e7aram a instaurar no pa\u00eds uma cultura do medo, dentro da qual a censura era um elemento chave.<\/p>\n\n\n\n<p>A ditadura organizou verdadeiras Listas de livros e autores proibidos. Em 1965, uma portaria do Minist\u00e9rio da justi\u00e7a indicava uma lista com 33 \u201cLivros de natureza subversiva\u201d. Entre aqueles que deveriam ser aprendidos destacavam-se os volumes da cole\u00e7\u00e3o Cadernos do Povo Brasileiro, da Editora civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, obras de Karl Marx e de Friedrich Engels, de autores russos, de intelectuais brasileiros, al\u00e9m de uma obra da escritora Adelaide Carraro (Fal\u00eancia das elites). No ano seguinte, foi censurado o livro Torturas e Torturados, do Ex-deputado M\u00e1rcio Moreira, que registrava casos de tortura ocorridos entre 1964 e 1966<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1965, o editor \u00canio Silvera, propriet\u00e1rio da editora civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira e militante do PCB, foi preso para prestar depoimentos sobre suas atividades profissionais. Silveira posicionou-se contra a censura e sofreu consequ\u00eancias, visto que sua editora foi uma das mais perseguidas. At\u00e9 mesmo o ditador Marechal Castello Branco questionou a necessidade da pris\u00e3o de Silveira. \u201cPor que a pris\u00e3o de \u00canio? S\u00f3 para depor?\u201d a repercuss\u00e3o \u00e9 contraria a n\u00f3s (\u2026). Isso nos rebaixa\u201d. A diverg\u00eancia j\u00e1 indicava fissuras internas entre os militares. Mais tarde, em 1968, a livraria de \u00canio Silveira no Rio de Janeiro foi alvo de um atentado \u00e0 bomba.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns escritores desafiaram a censura explicitamente, como Jorge Amado e&nbsp;\u00c9rico Ver\u00edssimo, dois dos mais populares escritores brasileiros. Eles reagiram \u00e0 censura pr\u00e9via declarando que \u201cem nenhuma circunst\u00e2ncia\u201d mandariam seus originais aos censores: \u201cpreferimos parar de publicar no Brasil e s\u00f3 publicar no exterior\u201d, disseram. A censura pr\u00e9via foi formalmente institu\u00edda em 26 de janeiro de 1970, por meio do&nbsp;Decreto-lei n\u00ba 1.077.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse clima repressivo, muitas pessoas passaram a tomar precau\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos livros que possu\u00edam, uma vez que muitos deles passaram a ser vistos pela ditadura como \u201carmas perigosas\u201d de subvers\u00e3o. Muitas pessoas queimavam ou enterravam seus pr\u00f3prios livros considerados \u201ccomprometedores\u201d, transformando em realidade as previs\u00f5es da obra&nbsp;Fahrenheit 451, de&nbsp;Ray&nbsp;Bradubury. Outros espalharam seus livros entre os amigos que n\u00e3o possu\u00edam nenhum envolvimento pol\u00edtico, pensando que mais tarde, quando a censura enfraquecesse, iriam recuper\u00e1-los.&nbsp;\u201cO fato \u00e9 que muita gente perdeu bibliotecas inteiras com medo da persegui\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudantes de Ci\u00eancias Sociais, Hist\u00f3ria, Filosofia, Geografia e Literatura encontraram dificuldades para acessar livros b\u00e1sicos para sua forma\u00e7\u00e3o, proibidos pelo index de autores subversivos e, sempre que poss\u00edvel, tais textos eram lidos \u00e0s escondidas. A milit\u00e2ncia de esquerda, por sua vez, sentia necessidade de ler e difundir livros estrat\u00e9gicos para as suas organiza\u00e7\u00f5es, considerados cl\u00e1ssicos do seu repert\u00f3rio pol\u00edtico e cruciais para a forma\u00e7\u00e3o de novos militantes. Para driblar a censura, tais organiza\u00e7\u00f5es criaram&nbsp;m\u00e9todos clandestinos de circula\u00e7\u00e3o de livros proibidos. Nas gr\u00e1ficas de grupos guerrilheiros, cap\u00edtulos de livros eram impressos separadamente e disfar\u00e7ados com capas insuspeitas de livros de receitas ou obras famosas. Como a tiragem era muito pequena, esses impressos circulavam clandestinamente de m\u00e3o em m\u00e3o. Um \u00fanico exemplar podia ser lido por muitas pessoas, at\u00e9 que algu\u00e9m os jogasse fora para escapar da repress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"457\" height=\"475\" data-id=\"510\" src=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/arquivo-da-PF.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-510\" srcset=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/arquivo-da-PF.jpg 457w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/arquivo-da-PF-289x300.jpg 289w\" sizes=\"auto, (max-width: 457px) 100vw, 457px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"791\" data-id=\"511\" src=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Imagem-02-materia-da-epoca.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-511\" srcset=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Imagem-02-materia-da-epoca.jpg 768w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Imagem-02-materia-da-epoca-291x300.jpg 291w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"557\" height=\"474\" data-id=\"512\" src=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/arquivo-da-epoca.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-512\" srcset=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/arquivo-da-epoca.jpg 557w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/arquivo-da-epoca-300x255.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 557px) 100vw, 557px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>O medo tinha fundamento. Em julho de 1968, por exemplo, o&nbsp;Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social&nbsp;(Dops) instaurou uma sindic\u00e2ncia para investigar o arquiteto e cen\u00f3grafo Marcos Flaksman, que trabalhou em algumas pe\u00e7as de teatro consideradas subversivas e imorais, de Bertold Brecht a Pl\u00ednio Marcos. O motivo? Ao desembarcar no aeroporto do Rio de Janeiro, vindo de Paris, trouxera em sua bagagem onze livros de \u201cnatureza subversiva\u201d. Eram obras de autores, como R\u00e9gis Debray, Che Guevara, Charles Bettelheim, Herbert Marcuse e Louis Althusser. Ali\u00e1s, como assinalaram os pr\u00f3prios policiais, a maior parte das obras j\u00e1 havia sido traduzida no Brasil. A sindic\u00e2ncia n\u00e3o deu em nada, mas serviu como intimida\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Livros tamb\u00e9m foram usados como \u201cprovas\u201d contra pessoas acusadas de subvers\u00e3o. Foi o que aconteceu com&nbsp;Francisco Gomes, um ativista de Sorocaba (SP) processado com base na Lei de Seguran\u00e7a Nacional em 1970 por pertencer \u00e0 A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN). Ele foi condenado e os livros apreendidos em sua casa foram o primeiro item destacado entre as \u201cprovas\u201d da sua subvers\u00e3o.<br>Mesmo vigiados e perseguidos, os opositores do regime encontraram brechas para denunciar, por meio dos livros, a situa\u00e7\u00e3o vivida no pa\u00eds. Foi o caso da obra&nbsp;Pau de Arara: La violence militaire au Br\u00e9sil, publicado na Fran\u00e7a, em 1971, pela Editora Fran\u00e7ois Maspero. Organizado pelos jornalistas Bernardo Kucinski e \u00cdtalo Tronca, a partir de uma ideia de outro jornalista,&nbsp;Luiz Eduardo Merlino, o livro era uma den\u00fancia do uso da tortura pelo governo brasileiro para combater seus oponentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Tragicamente, Merlino foi morto sob tortura pela repress\u00e3o antes da obra estar impressa. Pau de Arara foi censurado no Brasil no mesmo ano de seu lan\u00e7amento na Fran\u00e7a e s\u00f3 foi editado no pa\u00eds em 2013.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conhe\u00e7a os Tr\u00eas Escritores Mais Censurados da \u00c9poca<\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"345\" height=\"345\" src=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cassandra-Rios-edited.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-516\" srcset=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cassandra-Rios-edited.png 345w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cassandra-Rios-edited-300x300.png 300w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cassandra-Rios-edited-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 345px) 100vw, 345px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Cassandra Rios<br><\/strong>Ningu\u00e9m foi mais perseguida pelos censores da ditadura militar brasileira (1964 &#8211; 85) do que Cassandra Rios, escritora recordista em vetos durante o regime, com 36 dos seus 50 livros publicados censurados durante a vida &#8211; fora algumas edi\u00e7\u00f5es clandestinas. &#8220;Cassandra Rios incomodou os militares por v\u00e1rias raz\u00f5es. A principal delas \u00e9 o conte\u00fado er\u00f3tico de seus livros, contr\u00e1rio a &#8216;moral e aos bons costumes&#8217;, como se dizia na \u00e9poca&#8221;, explica Rodolfo Londero, professor da Universidade Estadual de Londrina e autor do livro Pornografia e censura: Adelaide Carraro, Cassandra Rios e o sistema liter\u00e1rio brasileiro nos anos 1970.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p><strong>Dias Gomes<br><\/strong>\u201cSubversivo\u201d era como a ditadura via um dos maiores dramaturgos brasileiros, segundo documentos oficiais. A persegui\u00e7\u00e3o a Dias Gomes nos tempos da ditadura \u00e9 narrada no livro Her\u00f3i Mutilado, lan\u00e7ado pela pesquisadora Laura Mattos em 2019. A novela Roque Santeiro, da Rede Globo foi censurada em 1975. Por meio de grampos telef\u00f4nicos, os militares descobriram que a trama se baseava em uma pe\u00e7a de teatro que j\u00e1 havia sido proibida, ou seja, a novela pro\u00edbe uma pe\u00e7a que j\u00e1 estava proibida. Apenas em 1985 a novela foi lan\u00e7ada, com somente o ator\u00a0Lima Duarte\u00a0representando o elenco original.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"410\" height=\"410\" src=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/dias-gomes-edited.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-515\" srcset=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/dias-gomes-edited.jpg 410w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/dias-gomes-edited-300x300.jpg 300w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/dias-gomes-edited-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"355\" height=\"355\" src=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Nelson-Rodrigues-edited.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-518\" srcset=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Nelson-Rodrigues-edited.jpg 355w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Nelson-Rodrigues-edited-300x300.jpg 300w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Nelson-Rodrigues-edited-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 355px) 100vw, 355px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p><strong>Nelson Rodrigues<br><\/strong>Nelson Rodrigues tamb\u00e9m foi um autor amplamente censurado pela ditadura militar. Um dos casos mais conhecidos foi o do livro\u00a0O Casamento, um dos primeiros livros a ser censurado durante o regime, ainda em 1966, quando a repress\u00e3o n\u00e3o era intensa. A obra foi censurada tendo proibida pelo Ministro da Justi\u00e7a de ent\u00e3o a comercializa\u00e7\u00e3o e a impress\u00e3o da obra, inclusive com a atua\u00e7\u00e3o de agentes do DOPS recolhendo exemplares em livrarias de diferentes estados. A\u00a0obra foi considerada subversiva, indecorosa e uma afronta as fam\u00edlias brasileiras. A narrativa aborda a hist\u00f3ria do casamento de Glorinha e Te\u00f3filo, em que o m\u00e9dico da fam\u00edlia conta ao pai da noiva que viu seu futuro genro beijando outro homem.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>O fim da censura foi lento e gradual. Em 1985, o Ministro da Justi\u00e7a do governo de\u00a0Jos\u00e9 Sarney, Fernando Lyra, anunciou o fim da censura pol\u00edtica, ao mesmo tempo em que preservou a\u00a0Divis\u00e3o de Censura de Divers\u00f5es P\u00fablicas\u00a0(DCDP). Foi seu sucessor no minist\u00e9rio, o senador Paulo Brossard, que em 1987 come\u00e7ou de fato a desmontar a estrutura institucional da censura. No entanto, foram mantidas as estruturas censoras em casos ligados a \u201cmoral e pornografia\u201d.\u00a0Somente com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 a censura foi legalmente extinta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os escritores sempre foram cronistas do seu tempo, capturando e compartilhando as nuances do cotidiano e da realidade que os cercava. Mas, como fazer isso em tempos onde a distor\u00e7\u00e3o e o silenciamentos de vozes cortam a realidade que escrevemos? 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