{"id":574,"date":"2026-01-09T16:11:45","date_gmt":"2026-01-09T16:11:45","guid":{"rendered":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/?p=574"},"modified":"2026-01-12T21:59:06","modified_gmt":"2026-01-12T21:59:06","slug":"sem-sertao-o-pernambucano-torna-se-menor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/index.php\/2026\/01\/09\/sem-sertao-o-pernambucano-torna-se-menor\/","title":{"rendered":"Sem Sert\u00e3o, o Pernambucano Torna-se Menor"},"content":{"rendered":"\n<p>O Campeonato Pernambucano <strong>2026<\/strong> come\u00e7a nesta sexta-feira (9) sem barulho fora da capital. Pela primeira vez em <strong>30 anos<\/strong><strong>, n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico clube do Sert\u00e3o na elite estadual<\/strong>. N\u00e3o \u00e9 detalhe estat\u00edstico. \u00c9 sintoma.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde <strong>1997<\/strong>, quando o <strong>1\u00ba de Maio<\/strong> levou o nome de Petrolina \u00e0 Primeira Divis\u00e3o, o Sert\u00e3o esteve presente de forma cont\u00ednua no principal campeonato do estado. Foram quase tr\u00eas d\u00e9cadas de viagens longas, folhas salariais enxutas, est\u00e1dios cheios e enfrentamentos desiguais com os clubes do Recife. Agora, o mapa ficou menor.<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00faltimos representantes da regi\u00e3o, <strong>Afogados e Petrolina<\/strong>, foram rebaixados no <strong>Campeonato Pernambucano de 2025<\/strong><strong>. O Decis\u00e3o<\/strong>, clube originalmente de Goiana, que representou a cidade de Sert\u00e2nia nas \u00faltimas temporadas, voltou \u00e0 Zona da Mata ap\u00f3s mais uma mudan\u00e7a de sede. Resultado: <strong>o Sert\u00e3o, pela primeira vez desde 1996, ficou fora da S\u00e9rie A<\/strong><strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conv\u00e9m lembrar: o Sert\u00e3o n\u00e3o \u00e9 qualquer interior. \u00c9<strong> a \u00fanica regi\u00e3o fora da Regi\u00e3o Metropolitana do Recife a produzir um campe\u00e3o estadual<\/strong>. O feito hist\u00f3rico pertence ao <strong>Salgueiro Atl\u00e9tico Clube<\/strong>, campe\u00e3o pernambucano em <strong>2020<\/strong>, quebrando uma hegemonia centen\u00e1ria dos clubes da capital.<\/p>\n\n\n\n<p>O Carcar\u00e1 disputou a Primeira Divis\u00e3o em <strong>17 edi\u00e7\u00f5es<\/strong>, estreando em <strong>2006<\/strong>e permanecendo de forma praticamente ininterrupta at\u00e9 <strong>2023<\/strong>. Entre <strong>2011 e 2020<\/strong>, esteve <strong>dez vezes seguidas entre os quatro melhores<\/strong>, foi vice-campe\u00e3o em <strong>2015<\/strong><strong> e 2017<\/strong> e campe\u00e3o em <strong>2020<\/strong>. Mesmo assim, em <strong>2024<\/strong>, optou por n\u00e3o disputar o estadual, alegando dificuldades financeiras. Futebol houve. Dinheiro, n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema nunca foi t\u00e9cnico. Sempre foi geogr\u00e1fico, pol\u00edtico e econ\u00f4mico. Jogar o Pernambucano a mais de <strong>700 quil\u00f4metros da capital<\/strong> custa caro. Viajar custa. Manter elenco custa. Arbitragem custa. E o retorno quase nunca vem. Os patrocinadores ficam no Recife. As cotas tamb\u00e9m. O interior que se vire.<\/p>\n\n\n\n<p>Os clubes sertanejos sobrevivem, quando sobrevivem, com apoio municipal. Apoio inst\u00e1vel, dependente de gest\u00e3o, humor pol\u00edtico e or\u00e7amento. Quando a prefeitura aperta o cinto, o futebol costuma ser o primeiro a sufocar.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Afogados<\/strong>, presente na elite de <strong>2017 a 2025<\/strong>, viveu seus melhores momentos em <strong>2019 e 2020<\/strong>, quando chegou \u00e0s semifinais e garantiu vaga na <strong>Copa do Brasil de 2020<\/strong>, competi\u00e7\u00e3o em que eliminou o <strong>Atl\u00e9tico-MG<\/strong>, um dos maiores feitos de um clube do interior pernambucano no torneio.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Petrolina<\/strong>, por sua vez, disputou a S\u00e9rie A em <strong>13 oportunidades<\/strong>. Seu melhor resultado veio em <strong>2023<\/strong>, quando terminou na <strong>terceira coloca\u00e7\u00e3o<\/strong>, eliminou o Santa Cruz e ficou fora da S\u00e9rie D apenas pelos crit\u00e9rios do regulamento. Dois anos depois, estava rebaixado.<\/p>\n\n\n\n<p>O Pernambucano <strong>2026<\/strong> ter\u00e1 <strong>Sport, Santa Cruz, N\u00e1utico, Retr\u00f4, Maguary, Jaguar, Vit\u00f3ria e o Decis\u00e3o<\/strong>. Bons clubes. Bons jogos. Mas um campeonato <strong>menos representativo<\/strong> de um estado que n\u00e3o cabe apenas na capital e na Zona da Mata.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem o Sert\u00e3o, o Pernambucano perde diversidade, perde alcance, perde identidade. Fica mais confort\u00e1vel. Talvez mais barato. Mas tamb\u00e9m mais pobre. E isso n\u00e3o \u00e9 acaso. \u00c9 consequ\u00eancia. Ou, no m\u00ednimo, descaso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Campeonato Pernambucano 2026 come\u00e7a nesta sexta-feira (9) sem barulho fora da capital. Pela primeira vez em 30 anos, n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico clube do Sert\u00e3o na elite estadual. N\u00e3o \u00e9 detalhe estat\u00edstico. \u00c9 sintoma. 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