{"id":880,"date":"2026-06-09T17:43:57","date_gmt":"2026-06-09T20:43:57","guid":{"rendered":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/?p=880"},"modified":"2026-06-09T19:11:25","modified_gmt":"2026-06-09T22:11:25","slug":"o-futebol-das-multiplas-identidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/index.php\/2026\/06\/09\/o-futebol-das-multiplas-identidades\/","title":{"rendered":"O Futebol das M\u00faltiplas Identidades"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Copa do Mundo de 2026, disputada nos <strong>M\u00e9xico, Estados unidos e Canad\u00e1<\/strong>, consolidam uma tend\u00eancia que vem transformando o futebol internacional nas \u00faltimas d\u00e9cadas: o crescimento do n\u00famero de atletas naturalizados e de jogadores com dupla nacionalidade. Nenhuma sele\u00e7\u00e3o representa melhor esse fen\u00f4meno do que a Fran\u00e7a, considerada hoje o principal expoente do multiculturalismo no futebol mundial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os convocados por <strong>Didier Deschamps,<\/strong> quatro atletas nasceram fora da Fran\u00e7a continental ou possuem trajet\u00f3rias ligadas diretamente \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o e \u00e0 naturaliza\u00e7\u00e3o: <strong>Mike Maignan, Brice Samba, Marcus Thuram e Michael Olise.<\/strong> Este \u00faltimo, nascido em Londres, filho de pai nigeriano e m\u00e3e franco-argelina, poderia ter defendido Inglaterra, Nig\u00e9ria ou Arg\u00e9lia, mas escolheu vestir a camisa francesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dos naturalizados, a sele\u00e7\u00e3o francesa conta com diversos jogadores de dupla nacionalidade ou descendentes de imigrantes. Entre eles est\u00e3o <strong>Kylian Mbapp\u00e9<\/strong> (origens camaronesas e argelinas), o bola de ouro <strong>Ousmane Demb\u00e9l\u00e9<\/strong> (Mali e Maurit\u00e2nia), <strong>N&#8217;Golo Kant\u00e9<\/strong> (Mali), <strong>Aur\u00e9lien Tchouam\u00e9ni<\/strong> (Camar\u00f5es), <strong>William Saliba <\/strong>(L\u00edbano), <strong>Randal Kolo Muani<\/strong> (Congo), I<strong>brahima Konat\u00e9<\/strong> (Mali) e <strong>Dayot Upamecano <\/strong>(Guin\u00e9-Bissau).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que um acaso esportivo, a composi\u00e7\u00e3o da equipe francesa \u00e9 resultado de d\u00e9cadas de imigra\u00e7\u00e3o vindas principalmente das antigas col\u00f4nias francesas na \u00c1frica e no Caribe. A Fran\u00e7a transformou essa diversidade em uma das maiores for\u00e7as do futebol mundial. N\u00e3o por acaso, os <strong>&#8220;Bleus&#8221;<\/strong> conquistaram a Copa do Mundo de <strong>1998<\/strong> e o t\u00edtulo de <strong>2018<\/strong> com elencos marcados pela pluralidade cultural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Fran\u00e7a \u00e9 apenas o exemplo mais evidente de um fen\u00f4meno que se espalhou por todo o planeta. Pa\u00edses como Inglaterra, B\u00e9lgica, Holanda, Alemanha, Portugal, Espanha, Canad\u00e1 e Marrocos tamb\u00e9m apresentam elencos formados por atletas nascidos em outros pa\u00edses ou descendentes de imigrantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Marrocos, semifinalista em 2022, ficou conhecido por reunir jogadores formados em academias europ\u00e9ias. A Inglaterra conta com filhos de imigrantes africanos e caribenhos. A Alemanha, por sua vez, incorporou atletas de origem turca, polonesa, ganesa e nigeriana. J\u00e1 o Canad\u00e1 vem se beneficiando de uma sociedade cada vez mais multicultural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse cen\u00e1rio \u00e9 consequ\u00eancia direta da globaliza\u00e7\u00e3o, dos fluxos migrat\u00f3rios e das regras da FIFA, que permitem que jogadores com m\u00faltiplas nacionalidades escolham qual pa\u00eds representar, desde que atendam aos crit\u00e9rios de elegibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para muitos jogadores, a escolha de uma sele\u00e7\u00e3o nacional vai al\u00e9m do local de nascimento. Cultura familiar, sentimento de pertencimento, oportunidades esportivas e at\u00e9 a hist\u00f3ria dos pais e av\u00f3s influenciam a decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/SnapInsta.to_700109902_18094046009058661_3620101287649374413_n-819x1024.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-882\" style=\"aspect-ratio:0.7998125439350152;width:353px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/SnapInsta.to_700109902_18094046009058661_3620101287649374413_n-819x1024.webp 819w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/SnapInsta.to_700109902_18094046009058661_3620101287649374413_n-240x300.webp 240w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/SnapInsta.to_700109902_18094046009058661_3620101287649374413_n-768x960.webp 768w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/SnapInsta.to_700109902_18094046009058661_3620101287649374413_n-100x125.webp 100w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/SnapInsta.to_700109902_18094046009058661_3620101287649374413_n.webp 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Michael Olise<\/strong>, por exemplo, representa uma nova gera\u00e7\u00e3o de atletas que carregam m\u00faltiplas identidades culturais. Sua hist\u00f3ria re\u00fane Inglaterra, Fran\u00e7a, Arg\u00e9lia e Nig\u00e9ria, demonstrando como o futebol contempor\u00e2neo ultrapassou fronteiras geogr\u00e1ficas tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/SnapInsta.to_713003954_18601838257044048_995279005488880708_n-819x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-883\" style=\"width:321px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/SnapInsta.to_713003954_18601838257044048_995279005488880708_n-819x1024.jpg 819w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/SnapInsta.to_713003954_18601838257044048_995279005488880708_n-240x300.jpg 240w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/SnapInsta.to_713003954_18601838257044048_995279005488880708_n-768x960.jpg 768w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/SnapInsta.to_713003954_18601838257044048_995279005488880708_n-100x125.jpg 100w, https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/SnapInsta.to_713003954_18601838257044048_995279005488880708_n.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Copa do Mundo de 2026 tamb\u00e9m ficar\u00e1 marcada por um fen\u00f4meno curioso: fam\u00edlias divididas por diferentes sele\u00e7\u00f5es nacionais. Os irm\u00e3os I\u00f1aki e Nico Williams s\u00e3o talvez o exemplo mais famoso. Filhos de ganeses, eles seguiram caminhos distintos. I\u00f1aki optou por defender Gana, enquanto Nico se tornou uma das estrelas da favorita Espanha.Outro caso \u00e9 o dos irm\u00e3os Gu\u00e9la e D\u00e9sir\u00e9 Dou\u00e9. Gu\u00e9la representa a Costa do Marfim, enquanto D\u00e9sir\u00e9 escolheu a Fran\u00e7a.Derrick Luckassen e Brian Brobbey tamb\u00e9m estar\u00e3o em lados opostos: o primeiro atua por Gana e o segundo veste a camisa da Holanda.J\u00e1 os irm\u00e3os John e Harry Souttar representam diferentes tradi\u00e7\u00f5es do Reino Unido. John atua pela Esc\u00f3cia, enquanto Harry defende a Austr\u00e1lia, pa\u00eds onde nasceu.Esses casos evidenciam como as fronteiras nacionais se tornaram mais flex\u00edveis no futebol moderno, refletindo hist\u00f3rias familiares espalhadas por diversos continentes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/avozdasruas.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ChatGPT-Image-9-de-jun.-de-2026-17_42_13-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-884\" style=\"aspect-ratio:1.5000585960389077;width:355px;height:auto\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uma ironia hist\u00f3rica imposs\u00edvel de ignorar. Justamente em uma Copa do Mundo realizada em solo norte-americano, pa\u00eds que, nos \u00faltimos anos, viu o debate sobre imigra\u00e7\u00e3o se tornar um dos temas mais polarizadores de sua vida pol\u00edtica, o torneio de 2026 se apresenta como talvez o mais multicultural de todos os tempos. Em campo, filhos e netos de imigrantes, atletas naturalizados e jogadores de m\u00faltiplas nacionalidades demonstram que o futebol moderno \u00e9, em ess\u00eancia, um produto da mobilidade humana. Das periferias de Paris aos bairros multiculturais de Londres, Amsterd\u00e3 e Bruxelas, passando pelas di\u00e1sporas africanas espalhadas pelo mundo, a Copa de 2026 reafirma uma realidade que transcende fronteiras e discursos pol\u00edticos: no esporte mais popular do planeta, a diversidade deixou de ser exce\u00e7\u00e3o para se tornar a pr\u00f3pria regra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Copa do Mundo de 2026, disputada nos M\u00e9xico, Estados unidos e Canad\u00e1, consolidam uma tend\u00eancia que vem transformando o futebol internacional nas \u00faltimas d\u00e9cadas: o crescimento do n\u00famero de atletas naturalizados e de jogadores com dupla nacionalidade. 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